julho 10, 2008

A turma do pé atrás

Após a perda do título da Copa do Brasil, veio à tona novamente um grupo de torcedores que reconhece o incômodo com algumas vitórias corinthianas, pelo significado político que elas têm.

De cara, esses torcedores são condenados pelos fanáticos mais radicais (torcedores de organizadas, entre outros), mas é mais conveniente tentar entendê-los do que execrá-los.

Sem dúvida que soa contraditório ser corinthiano e pensar no lado ruim das vitórias do próprio time, mas faz sentido quando se lembra de tudo o que tem envolvido o Corinthians nos últimos dez anos, e não focar somente o presente – que nem é tão bom assim, pois somos líderes e invictos, mas estamos na segunda categoria.

A “turma do pé atrás” (na verdade é um grupo sem nome, mas se pode batizá-lo assim) pensa permanentemente em todos os erros e absurdos cometidos desde a primeira parceria, em todos os crimes que lesaram o patrimônio alvinegro, e que terminaram impunes.

Pensam em toda essa gente que mamou nos cofres do clube e que terminaram sendo responsáveis diretos pelo momento mais doloroso da vida de todos os corinthianos.

Se trata somente de perceber que os que mandam no clube atualmente mantêm um estilo de gestão que levou o Corinthians à triste realidade em que se encontra, tanto no âmbito financeiro quanto no desportivo. E não precisa ser muito inteligente prá saber que o título da Série B, que é questão de tempo, será utilizado como plataforma eleitoral, como também seria o título que não veio da Copa do Brasil.

Ninguém está falando em torcer contra o Corinthians, e sim de sentir que cada vitória deve ser celebrada, mas com um certo remorso, pois se sabe que por trás dela há uma pequena má notícia escondida.

A turma do pé atrás ama o Corinthians tanto ou mais que os próprios Gaviões da Fiel – tanto que nem pede ingressos pela metade do preço em troca do seu amor.

A turma do pé atrás quer ver o Timão campeão da Segundona, de preferência invicto, e que a atual diretoria deixe o clube em janeiro, dando lugar a uma administração realmente honesta.

Essa combinação é quase impossível. Mas que corinthiano nunca sonhou com o impossível?

julho 3, 2008

Paciência de Jô

Ser corinthianos nos dias de hoje é um exercício constante de paciência, devido ao muito que já se espera pela estabilidade administrativa – talvez uma ilusão tão grande quanto a do estádio.

Jô no Corinthians nunca foi uma unanimidade. Soube esperar o seu momento, e tentou aproveitar quando teve a oportunidade. Passeou entre críticas ferozes e elogios contidos. Após alguns anos dessa dicotomia, foi prá Russia sem deixar saudades explícitas, e lá, embora não tenha sido herói, foi menos cobrado, respondeu ao que lhe pediram, e pode gozar de mais carinho dos torcedores, o que lhe ajudou a se consolidar no mercado europeu como jogador promissor.

Qualquer visita aos sítios europeus de notícias esportivas pode confirmar o interesse nele vindo das principais ligas do mundo. Ao que parece, o presidente corinthiano era o único no mundo do futebol que não sabia disso, ou pelo menos finge não saber.

Os otimistas de plantão terão que se esforçar prá dizer que a perda de quatro milhões de reais não foi assim tão trágica. Um bom argumento pode ser que mais trágico que isso será o que o clube perderá após a iminente venda de Dentinho e André Santos, que tiveram uma porcentagem dos seus passes vendidos a preço de banana ao dono de uma pequena rede de supermercados.

É evidente, para um observador mais criterioso, que se refazemos a pergunta a verdade vem à tona de forma mais cristalina. Qual é o fato por trás dessa notícia, que o Corinthians perdeu dinheiro ou que tem gente ganhando às custas da nossa aparentemente involuntária ingenuidade? Quem são os que estão ganhando?

As respostas talvez nos levem a duas conclusões terríveis: a de que a nada foi involuntário - e portanto não houve ingenuidade – e a de que o futuro do clube pode ser ainda mais obscuro que o presente.

junho 25, 2008

2008 – O ano em que quase…

A suspensão de Dualib e Nesi Curi, por se tratar de um primeiro passo para a possível expulsão de ambos do clube, deveria ser comemorada, não fosse a Caixa de Pandora que é a política no alvinegro. Melhor dizer que isso foi quase uma boa notícia.

Quatro décadas após o Brasil sofrer o infindado ano de Zuenir Ventura, no Corinthians de Andrés Sanchez se vive a sensação constante de que toda pequena vitória é o prelúdio de uma grande frustração.

A própria eleição de Sanchez veio logo após muitos corinthianos de bem alimentarem a vã esperança na volta de Waldemir Pires, presidente da Democracia Corinthiana, que se cogitou, seria eleito em chapa única.

Os meses de Sanchez como presidente parecem uma repetição burlesca da sua vitória eleitoral. Tudo no Corinthians é requiém disfarçado de gozo, e quando o corinthiano se dá conta que o lírico se tornou trágico, tudo se volta tão mais doloroso.

A promessa de renovação e transparência animou muita gente, quase condenamos os antigos corruptos, mas tudo terminou na aprovação das contas da gestão anterior.

O milésimo projeto de estádio mosqueteiro terminou com uma agenda que apareceu a tempo de evitar outra calamidade fiscal. Se bem que contra essa ilusão do estádio próprio praticamente todos os corinthianos já estamos vacinados.

A mudança que permitiria eleições diretas para os sócios, segundo o novo estatuto, quase virou realidade, ou pelo menos pareceu que sim, chegou a ser festejada (inclusive por este que vos escreve) e logo tragada em seco graças à famigerada letra K do artigo 87.

Se até no gramado esse axioma é visível. No Paulistão quase nos classificamos à segunda fase. Na Copa do Brasil quase fomos campeões – se bem que, verdade seja dita, quase fomos eliminados antes por Goiás e Botafogo, mas sobrevivemos para o derradeiro e trágico quase da decisão.

Agora, Alberto Dualib e Nesi Curi estão quase expulsos do clube, e isso significa que ainda não mudou absolutamente nada. Se tratando do Corinthians, eu diria que a própria consumação da expulsão só seria passível de celebração após verificadas as consequências do fato.

Até lá, prefiro seguir tomando chá de cadeira…

junho 18, 2008

Aos democratas corinthianos…

Seja bem vindo a este recém surgido espaço democrático corinthiano!

Se você é corinthiano e quer ver o clube sendo gerido de forma realmente transparente, seja mil vezes bem vindo!

Apesar de citar um dos mais belos momentos da história do mais belo clube do mundo - e pelo fato de que não sou ninguém para me auto-proclamar porta-voz de tal história - o blog Democracia Corinthiana nasce para falar do Corinthians e da democracia no tempo presente. Certamente haverá referências ao brilhante time de Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro Biro e tantos outros, e a tudo o mais que se viveu naqueles anos inesquecíveis.

Porém, a idéia aqui é falar do que acontece hoje no clube, em uma tentativa de resgatar os valores democráticos e muitos outros valores, baseado na talvez ingênua crença deste que vos escreve de que somente esse resgate será capaz de reconduzir o Corinthians à grandeza e às suas raizes populares.

Este blog não é ligado à atual diretoria, nem à oposição, por isso é bastante significativo iniciar atividades em um momento como esse, em que estamos na metade da gestão tampão atual, e há seis meses de um novo pleito.

Não se verá aqui nenhuma campanha em prol das candidaturas que se apresentem, mas evidentemente vamos a estar do lado de todos aqueles que venham prá fazer as coisas bem, de forma legal e respeitando a comunidade corinthiana (conselheiros, sócios, torcedores).

Este blog é prá quem quer um Corinthians limpo, comandado por gente que queira administrar o clube com probidade e competência.

Participe você também! Juntos poderemos colaborar práver no futuro um Corinthians melhor. E espero que seja um futuro próximo.