2008 – O ano em que quase…

A suspensão de Dualib e Nesi Curi, por se tratar de um primeiro passo para a possível expulsão de ambos do clube, deveria ser comemorada, não fosse a Caixa de Pandora que é a política no alvinegro. Melhor dizer que isso foi quase uma boa notícia.

Quatro décadas após o Brasil sofrer o infindado ano de Zuenir Ventura, no Corinthians de Andrés Sanchez se vive a sensação constante de que toda pequena vitória é o prelúdio de uma grande frustração.

A própria eleição de Sanchez veio logo após muitos corinthianos de bem alimentarem a vã esperança na volta de Waldemir Pires, presidente da Democracia Corinthiana, que se cogitou, seria eleito em chapa única.

Os meses de Sanchez como presidente parecem uma repetição burlesca da sua vitória eleitoral. Tudo no Corinthians é requiém disfarçado de gozo, e quando o corinthiano se dá conta que o lírico se tornou trágico, tudo se volta tão mais doloroso.

A promessa de renovação e transparência animou muita gente, quase condenamos os antigos corruptos, mas tudo terminou na aprovação das contas da gestão anterior.

O milésimo projeto de estádio mosqueteiro terminou com uma agenda que apareceu a tempo de evitar outra calamidade fiscal. Se bem que contra essa ilusão do estádio próprio praticamente todos os corinthianos já estamos vacinados.

A mudança que permitiria eleições diretas para os sócios, segundo o novo estatuto, quase virou realidade, ou pelo menos pareceu que sim, chegou a ser festejada (inclusive por este que vos escreve) e logo tragada em seco graças à famigerada letra K do artigo 87.

Se até no gramado esse axioma é visível. No Paulistão quase nos classificamos à segunda fase. Na Copa do Brasil quase fomos campeões – se bem que, verdade seja dita, quase fomos eliminados antes por Goiás e Botafogo, mas sobrevivemos para o derradeiro e trágico quase da decisão.

Agora, Alberto Dualib e Nesi Curi estão quase expulsos do clube, e isso significa que ainda não mudou absolutamente nada. Se tratando do Corinthians, eu diria que a própria consumação da expulsão só seria passível de celebração após verificadas as consequências do fato.

Até lá, prefiro seguir tomando chá de cadeira…

1 Comentário

Arquivado em crônica

Uma resposta para 2008 – O ano em que quase…

  1. Marcelo Donato

    Análise excelente cara, parabéns!!! Eu também gostaria de ver o Andrés Sanchez longe do Corinthians, porque ele quase mandou o Dualib prá fora, mas na prática o velho continua lá dando as cartas. Tomara que o nosso Timão deixe de ser o time do quase logo.

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